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14 junho, 2014

linha de energia ameaça especies raras na amazônia


RIO - Uma das maiores linhas de energia do mundo, aguardada como promessa para abastecer as populações isoladas do Norte do país, a ligação Tucuruí-Macapá-Manaus está sendo bombardeada por ambientalistas. O motivo do protesto é a construção de uma grande estrada entre as torres, que terão até 70 metros de altura. 

O caminho vai riscar uma das mais preciosas reservas naturais da Amazônia, prejudicando pesquisas científicas e expondo espécies ameaçadas da região.
O “Linhão”, como o trajeto é conhecido, chegou no ano passado a Manaus. Agora, a obra avançará 750 quilômetros para o Norte, rumo a Boa Vista.

Trata-se, porém, de um caminho problemático. Seu traçado cruza a Reserva Florestal Adolfo Ducke, administrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e considerada uma das principais regiões de estudo de florestas tropicais do mundo.

— O problema não é propriamente a linha, mas a zona logo abaixo de onde ela passa— ressalta William Laurance, da Universidade James Cook, da Austrália, que estuda distúrbios na floresta tropical e é um veterano pesquisador da Amazônia.
De acordo com Laurance, as estradas sob as torres teriam até 70 metros de largura.
— Pode não parecer muito, mas é um espaço intransponível para muitos animais da floresta — lamenta.

Animais noturnos, como o jaguar, são intimidados pela abertura de um espaço iluminado no meio de seu habitat. Presas de espécies importantes também podem ter dificuldades para atravessar terrenos sem cobertura vegetal.

— Se a linha corta a conexão entre a reserva e a floresta vizinha, a reserva vai se tornar uma ilha — alerta Philip Stouffer, da Universidade de Louisiana, que pesquisou as aves da região por mais de 20 anos. — Nossos estudos mostram que esse isolamento leva à perda rápida de espécies.


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